Capa do livro

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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

OS EXCLUÍDOS


OS EXCLUÍDOS
Não, não me chamou a atenção o fato da presidente Dilma falar sobre a diminuição da tarifa de luz, tampouco se era uma notícia eleitoreira. O que me fez cravar os olhos na tela da TV no dia 6/9/12, à noite, foi o fato de não haver nenhuma pessoa para fazer a mensagem dos sinais dos surdos e mudos, ali no cantinho da tela. Não deixava de ser um sinal. Um sinal claro que o Governo não tem fala, nem mesmo olhos para os ditos excluídos. E, pasme, justamente na época de encerramento das Paraolimpíadas, em Londres. Aqueles atletas que deixaram os fortes e “sem defeitos” no chinelo em termos de dedicação em suas atividades e deram ao Brasil um honroso 7º lugar no ranking de medalhas. Só para comparar, veja o quadro abaixo:

Precisa explicação? Então, vamos lá: esses atletas lutam diuturnamente para alcançarem seus objetivos, enfrentam transporte público, não têm o empenho do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) dispensado aos “normais” e sequer patrocínio que lhes garanta um lugar ao sol que tanto merecem. São paparicados tão somente ao abocanhar medalhas. Aí, são recebidos por autoridades que querem tirar fotografias com os heróis, são apresentados em entrevistas de pouca duração, fazem uma propaganda comercial ou outra, e... deu. Depois são esquecidos pelos próximos quatro anos.
Ah! Esse país de tantas expectativas internacionais mostra a cara deslavada nas pernas, braços, olhos que faltam nos risonhos vencedores.
Isso não é novidade para nós, os variguianos/aposentados e pensionistas do Aerus. Não é mesmo. Enquanto demos divisas à União, éramos tratados a pão de ló. Após a intervenção de nosso fundo de pensão e a Varig foi falida, viramos massa de manobra jurídica. Não importa se a maioria de nós é composta por pessoas com mais de 70 anos. Velho não dá ibope. Idosos morrem logo e o assunto está esquecido. Péra aí, não é bem assim. Temos um passado glorioso, histórias que engrandecem a Nação e fomos reconhecidos como os melhores do mundo num passado recente. O que que há? Estão pensando que já vestimos e mortalha, que botamos nossos uniformes de molho e os Ícaros de nossos brevês na caixinha do esquecimento? Nãnãninãnão. Ainda temos pejo, e nossa vergonha é de termos que implorar por aquilo que nos pertence e que ganhamos na Justiça. Mas nem esse pudor nos deterá. Está chegando a hora de cobrarmos com veemência, sem violência, aquilo que nos é de direito. Aguarde AGU e outros órgãos envolvidos. Estamos somente criando estratégias para invadir sua praia. E que esse grito sirva para incentivar os atletas paraolímpicos a terem mais visibilidade, mesmo que sem visão, pernas, braços ou audição.

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