Capa do livro

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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

À propósito do novo cargo de Joaquim Barbosa.


Centenas de biografias poderão ser escritas sobre Joaquim Barbosa. Nenhuma adentrará a alma do menino pobre do noroeste de Minas. Só sabe a dor da desigualdade social quem a sofreu na carne. O país que não cuida de nivelar as classes sociais, permitindo aos menos favorecidos acesso à educação, jamais poderá ser chamado de justo.
É preciso gana, é preciso coragem, para mudar o curso da história pessoal como o senhor  fez.
O Brasil assistiu recentemente não a cura para todos os males com as sentenças dos participantes da quadrilha do mensalão, mas a certeza que a impunidade para os poderosos chegou ao fim. A luz sinalizadora desta guinada veste toga e é afrodescendente. É culto e sem muita paciência. E devo salientar que apesar de ter sido indicado ao STF pelo Lula, não se deixou levar por tal, cumpriu o papel que a Nação esperava dele: foi coerente e honesto.
Esse perfil me leva a crer que nenhuma injustiça será cometida no período em que o senhor estiver na presidência do mais alto tribunal do país.
Claro, quero parabenizá-lo e desejar vida longa no cargo. Chegar aonde chegou (só Deus e poucos chegados sabem as agruras passadas durante esse percurso) requer tenacidade, fibra e foco no objetivo.
Citei “justo” e “justiça” no texto acima, exatamente para que a adjetivo e o substantivo feminino fossem enfatizados na sua conduta ilibada, mas também para lembrar sua importância na vida dos aposentados e pensionistas da Varig, na ação do AERUS, a qual não irei discorrer, pois já é de seu conhecimento.
Tenho certeza que V. Excia. desconhece nossos problemas, apesar de já tê-los sentido de outra forma nos tempos de menino e estudante pobre. Há uma frase de Makota Valdina que é apropriada para o que contarei: “Não sou descendente de escravos. Eu descendo de seres humanos que foram escravizados.” Pois bem, caro Ministro, hoje o contingente de aproximadamente 10.000 pessoas idosas encontra-se escravizado, pois lhes foi tirado o direito da cidadania. Se a cada dia somos informados que a decisão do juiz Dr. Jamil Rosas de Jesus Oliveira será cumprida e ao término do mesmo dia somos bombardeados com mais um impasse e recursos da União, a angústia transforma-se em desespero na medida em que o pouco que ainda recebemos do Aerus não suporta o pagamento de plano de saúde, de hospitalizações, de remédios, de psiquiatras e outras modalidades médicas, tampouco de alimentação e transporte. Além da adaga pendurada sobre nossa cabeça anunciando que nos próximos meses nem esses tostões do AERUS receberemos, pois o Fundo de Pensão não terá mais recursos. Não tenho a intenção de ficar fazendo loas ao nosso passado de “embaixadores do Brasil”, de sermos responsáveis pela entrada de divisas para o país, tampouco de termos trabalhado mais de 30/40 anos para uma empresa que foi símbolo do Brasil. O que me move é lembrá-lo que contribuímos para o Aerus e que a Secretaria de Previdência Complementar autorizou 21 contratos ilegais entre o Fundo e nossa empresa e NÓS NÃO somos os responsáveis por terem dado rumo escuso às contribuições regiamente descontadas de nossos salários. Tampouco somos os responsáveis pela falência da empresa, os vilões e seus asseclas planaltinos continuam aproveitando a vida impunemente, enquanto mais de 700 colegas morreram desde a intervenção no Aerus, sem resgatar a dignidade de suas vidas.  O que me dá esperança, Ministro, é saber que agora nosso destino está em suas mãos, e como sou testemunha do amor que V. Excia. nutre pela Justiça meu coração fica mais em paz.
Que Deus conduza seu mandato e que sua saúde seja revigorada.
Atenciosamente,
Cláudia Vasconcelos

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